terça-feira, 24 de abril de 2012

Informações sobre e Feira do Livro 2012

Tema Literário: Simões Lopes Neto
Patrono: Jairo Luiz de Souza
Cidade homenageada: Porto Alegre
Escritor homenageado: Fabrício Carpinejar


 
Período de realização: 1º a 16 de junho
 Encontro com Escritores:
 Rosana Rios
dia 1º (6ªf) – 9h
 Ricardo Azevedo
dia 1º (6ªf) - 14h
 Cláudia Tajes
dia 4 (2ªf) – 19h30min
 Ilan Brenman
 dia 4 (2ªf) - 10h 
 Júlio Emílio Braz
dia 5 (3ªf) – 15h
 Ignácio Loyola Brandão
dia 5 (3ªf) – 19h30min
 André Neves
dia 8 (6ªf) 14h
 Sérgio Napp
dia 13 (4ªf) – 10h
 Ninfa Parreiras
dia14 (5ªf) – 14h
 Daniel Munduruku
dia 15 (6ªf) – 14h

1º Seminário Internacional de Contadores de Histórias
dia 1º - das 9h às 16h

Seminário Simões Lopes Neto
dia 1º - 19h30min

Cine Literário
 Participação de Marcelo Carneiro da Cunha e
 Eduardo Cardoso Lacerda
 dia 1º - 19h30min

Fórum Gaúcho pela Melhoria das  Bibliotecas Escolares e Comunitárias
 dia 8 – das 8h30min às 17h
Oficina Quadrinhos em Sala de Aula
dia 11 – das 13h30min às 16h



Encontro dos Escritores AGES, AEILIJ e ACE

dia 12 – das 9h às 17h



Planos Municipais e Estaduais de Livro, Leitura e Literatura

 dia 13 – 15h



II Encontro Nacional de Língua, Literatura e Intermidialidade: a Literatura para além do Literário e I Encontro Internacional de Literatura e outras Linguagens

dia 14 – 19h30min

terça-feira, 10 de abril de 2012

Escritores confirmados para
28ª Feira do Livro Canoas

Patrício Dugnani
Escritor e ilustrador, mestre em Comunicação e Semiótica, professor de Ciência da Comunicação, História da Arte e Artes. Em 2004, lançou o Livro dos Labirintos - uma coletânea de contos fantásticos, inspirados na obra de Franz Kafka, Jorge Luis Borges e outros autores.

Pela Paulinas publicou os seguintes títulos:
* Ovelhas e Lobos;
* Beleléu (PNLD/2004);
* O seu lugar (PNLD/2006);
* Um mundo melhor;
* Beleléu e os números;
* Beleléu e as cores.


Kalunga


Kalunga é poeta, contista, animador cultural, compositor, oficineiro e palestrante. Seu nome é Carlos Heráclito Mello Neves. Participa, entre outros projetos, do Autor Presente, do Instituto Estadual do Livro, Adote Um Escritor e Fome de Ler, ambos da Câmara Riograndense do Livro. O escritor participou de Feiras de Livros e atividades culturais em mais de 200 cidades gaúchas e outras tantas pelo Brasil. Possui 14 livros publicados para o público infantil e infanto-juvenil, pelas editoras Maneco, Miguilin, Mercado Aberto, Vozes, Paulinas e FTD. Gravou três CDs para o público infantil - Canção do Amiguinho, Kalunga Criança - Vol.I e Kalunga Criança Vol. II. Teve muitos dos seus livros adaptados para o teatro. Ministra oficina sobre técnicas para falar melhor e aprimorar a comunicação.

Entre suas publicações estão:
* Que amor de bruxinha
* O primeiro namorado
* Raimundo perdido no mundo
* O sapo inglês e a sapa espanhola
* A bengala mágica da tia Zuraide


Julio Emilio Braz

Julio Emilio Braz é considerado um autodidata, aprendendo as coisas com extrema facilidade. Adquiriu o hábito de leitura aos seis anos.Iniciou sua carreira como escritor de roteiros para histórias em quadrinhos, publicadas no Brasil,Portugal, Bélgica, França, Cuba e EUA. Já publicou mais de cem títulos. Em 1988 recebeu o Prêmio Jabuti pela publicação de seu primeiro livro infanto-juvenil: SAGUAIRU. Em 1990 escreveu roteiros para o programa  Os Trapalhões, da TV Globo, e algumas mininovelasb para a televisão do Paraguai. Em 1997 ganhou o Austrian Children Book Award, na Áustria, pela versão alemã do livro Crianças na Escuridão (Kinder im Dulkern) e o Blue Cobra Award, no Swiss Institute for Children’s Book.

Algumas obras do autor são:

* Os dedos
* Minhas férias
* Causos de Pedro Malasartes
* A história azul
* Coppélia

Ignácio de Loyola Brandão

Ignácio de Loyola Lopes Brandão nasceu em Araraquara - SP. É contista, romancista e jornalista brasileiro. Sua carreira começou em 1965 com o lançamento de Depois do Sol, livro de contos no qual já se mostrava um observador curioso da vida na cidade grande, bem como de seus personagens. Trabalhou como editor da Revista Planeta entre 1972 e 1976. Dono de um "realismo feroz", segundo o escritor Antonio Candido, seu romance Zero foi publicado inicialmente em tradução italiana. Quando saiu no Brasil, em 1975, foi proibido pela censura, que só o liberou em 1979, após o relançamento no Brasil do romance “Zero”, o escritor participa de inúmeros encontros com seus leitores, debatendo sua obra e a situação do país. Lança o romance “Dentes ao sol”, o livro de contos “Cadeiras proibidas” e, em 1977, o infanto-juvenil “Cães danados”. Escreve, ainda o livro-reportagem “Cuba de Fidel: viagem à ilha proibida”.A carreira de Ignácio de Loyola ainda abrange seus textos como cronista e dramaturgo. Em 2000, recebe o Prêmio Jabuti de “Melhor Livro de Contos” por “O homem que odiava a segunda-feira”. Em 2006 publica “A Altura e a Largura do Nada”, um romance com uma estrutura desconcertante.

Algumas obras do autor:

Contos:
* Pega ele, Silêncio, Símbolo, 1976.
* Cabeças de segunda-feira, Codecri, 1983.
* O homem do furo na mão, Ática, 1987.
* O homem que odiava segunda-feira, Global, 1999.

Romances:
*Bebel que a cidade comeu, Brasiliense, 1968.
*Não verás país nenhum, Codecri, 1981.
*O beijo não vem da boca, Global, 1985.
*O ganhador, Glogal, 1987.
*O anjo do adeus, Global, 1995.


Marcelo Carneiro da Cunha

Nascido em Porto Alegre, viveu em São Francisco de Paula e Caxias do Sul, voltando a residir em Porto Alegre durante os estudos universitários. Formou-se em Jornalismo e publicou seu primeiro livro, Noites do Bonfim, em 1987. Tem varios livros publicados, dois curta-metragens e dois longa-metragens produzidos a partir de argumentos originais ou livros seus. Na imprensa, é colunista do Terra Magazine e MPost. Vive em São Paulo.

Alguns livros:
 *2012: Primeira Vez e Muitas Vacas;
 *2010: Super (novela, Ed. Record);
 *2008: Depois do Sexo (romance, Ed. Record);
 *2004: Duda 3, a Ressurreição (novela, Ed. Projeto);
 *2002: Ímpar (novela, Ed. Projeto);
 *2000: Antes que o Mundo Acabe (novela, Ed. Projeto);
 *1996: Insônia (novela, Ed. Projeto);
 *1994: Duda 2, a Missão (novela, Ed. Projeto);
 *1992: Codinome Duda (novela, Ed. Projeto).


Ricardo Azevedo

Ricardo Azevedo, escritor e ilustrador paulista, é autor de mais cem livros para crianças e jovens. Ganhou quatro vezes o prêmio Jabuti com os livros Alguma coisa (FTD), Maria Gomes (Scipione), Dezenove poemas desengonçados (Ática) e A outra enciclopédia canina (Companhia das Letrinhas) o APCA e outros. Tem livros publicados na Alemanha, Portugal, México, França e Holanda. Bacharel em Comunicação Visual pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado e doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Pesquisador na área de cultura popular. Professor convidado em cursos de especialização em Arte-Educação e Literatura. Tem dado palestras e escrito artigos, publicados em livros e revistas, abordando problemas do uso da literatura de ficção na escola.



Alguns de livros:
* Um homem no sótão (Ática);
* Ninguém sabe o que é um poema (Ática);
* Trezentos parafusos a menos (Companhia das Letrinhas);
* O leão Adamastor (Saraiva);
* Lúcio vira bicho (Companhia das Letras);
* Chega de saudade (Moderna);
* A hora do cachorro louco (Ática);
* Aula de carnaval e outros poemas (Ática);
* Dezenove poemas desengonçados (Ática);
* Meu nome é cachorro (Ediouro), 1999;
* No meio da noite escura tem um pé de maravilha! (Ática Editora, 2002).


Liliana Cinetto

Professora do Ensino Fundamental e de Literatura, escritora e contadora de histórias. Tem ministrado cursos e workshops na Argentina, Brasil e Espanha. Publicou mais de cinqüenta livros para crianças  e contos e poemas em antologias de muitos editores. Muitos de seus trabalhos foram traduzidos em português e italiano. Também participou, representando a Argentina, em vários encontros e festivais no Brasil e na Espanha.

Algumas obras da autora:
* O Casamento no mar.
* Um Rei Que Não Sabia Sorrir.
* As Formigas do Brasil .
* Histórias das Terras Daqui e de Lá.
* Ambrosio En El Antiguo Egipto.


Ninfa Parreiras

Ninfa Parreiras nasceu em Itaúna, Minas Gerais, e mora no Rio de Janeiro há mais de 15 anos. Autora de obras da literatura infantil. Mestre em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo – USP (2006), com a pesquisa: “A Psicanálise do Brinquedo na Literatura para Crianças”. Graduou-se em Letras (1988) e em Psicologia (1997), pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC) – Rio de Janeiro. É Membro Psicanalista da Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle, Rio de Janeiro. Trabalha em duas áreas diferentes, marcadas pela presença da palavra e da subjetividade – a Literatura e a Psicanálise; como especialista na Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), desde 1987, e professora na Estação das Letras, RJ (desde 2003) e como psicanalista, numa clínica de atendimentos a crianças e adultos. É membro da Letra Falante, grupo de pesquisa em literatura infantil.
Obra escrita:
* O Brinquedo na Literatura Infantil;
* Com a maré e o sonho;
* A velha dos cocos;
* Um mar de gente;
* Coisas que chegam, coisas que partem;
* Um teto de céu e O morro encantado.


Allan Sieber

Allan Sieber, nascido em Porto Alegre, é roteirista, autor de quadrinhos, cartunista e diretor de animação. Desde 1999, mantém a Toscographics Desenhos Animados, estúdio sediado no Rio de Janeiro.

Algumas obras do autor:

* Ninguém Me Convidou (em parceria com Jouralbo Sieber) , Conrad Editora, 2010;
* É Tudo Mais ou Menos Verdade, Editora Desiderata, 2009;
* Mais Preto no Branco, Editora Desiderata, 2007;
* Assim Rasteja a Humanidade, Editora Desiderata, 2006; 
* Sem comentários, Editora Casa XXI, 2005;
* Vida de Estagiário, Conrad Editora, 2005;
* Preto no Branco, Conrad Editora, 2004;
* As Últimas Palavras, Edições Tonto, 2000;
* As Piadas Vagabundas do Steven, Edições Tonto, 1997.


André Neves

André Neves nasceu em Recife e mora em Porto Alegre, onde trabalha pesquisando, escrevendo e ilustrando livros infantis. É arte-educador e promove palestras e oficinas sobre Literatura Infantil e Juvenil. Participou do curso de ilustração para infância em Sarmede, na Itália. Em 2002, seu trabalho como ilustrador do livro “Sebastiana e Severina” foi selecionado para a mostra itinerante “XX Mostra Internazionale d’ Illustrazione per I’infanzia Stepan Zavrel” na Itália, onde percorreu várias cidades para colorir os olhos de muitas crianças. Pelos seus trabalhos, foi agraciado pela FNILJ – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil com o Prêmio Luis Jardim (Melhor Livro de Imagem) e recebeu menções de “Altamente Recomendável”.

 É autor e ilustrador dos livros infantis:
* Caligrafia e Dona Sofia;
* Colecionador de Pedras;
* O enigma das caixas;
* Menino chuva na rua do sol;
* O ovo e vovô; 
* Vira, vira, vira lobisomem;
* Maria Peçonha;
* Sebastiana e Severina”,


Daniel Munduruku

Graduado em Filosofia, tem licenciatura em História e Psicologia e é doutorando em Educação na Universidade de São Paulo. Comendador da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República. Diretor-presidente do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual - INBRAPI. Pesquisador do CNPq. É conhecido nacional e internacionalmente, pois vários de seus livros receberam prêmios no Brasil e no exterior.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Algumas atividades confirmadas para a 28ª Feira do Livro de Canoas


1º Seminário Internacional de Contadores de Histórias – tema: Múltiplas Linguagens Artísticas na Narração Oral. Participação especial: Liliana Cinetto (Argentina)

Encontro com Escritor:

Margarida Botelho (Portugal)

Claudia Tajes
               
Lúcia Fidalgo

Ernani Ssó
                        
Júlio Emílio Braz

Inácio Loyola Brandão

João Pedro Roriz

Kalunga

Carlos Urbim

Daniel Munduruku

Durante a 28ª Feira do Livro de Canoas acontecerá a Usina de Quadrinhos e Animação, oferecendo palestras, encontros, debates e oficinas com quadrinistas, cartunistas, ilustradores e demais profissionais da área.

O Cine Literário contará com a presença de roteiristas, diretores e atores de cinema para palestrar e debater sobre seus trabalhos.

terça-feira, 21 de junho de 2011

DEPOIMENTOS


- Caro Maumau.
Quem tem de agradecer pelo convite e por toda a atenção sou eu. Não faltou nada. Pelo contrário, sobraram boas conversas e contatos com os colegas daí e de outros lugares.
Segue o depoimento, atendendo à sua solicitação:
- Foi uma dupla surpresa a minha participação da Feira do Livro de Canoas. A primeira foi o convite em si, algo que muito me honrou, ainda mais para falar de tema tão caro a mim, os quadrinhos latinoamericanos. A segunda surpresa foi ter contato com a acolhedora cidade, que não conhecia, e com a garotada da plateia (saí de São Paulo pensando que teria interlocutores mais velhos). Mas foi ótimo. Entendo que devamos ter diálogo frequente com os mais novos, ainda mais numa feira que se pretende discutir o papel do livro e, por extensão, da leitura também. Os leitores de hoje serão os adultos bem (in)formados de amanhã. E as histórias em quadrinhos, como bem ilustra a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, têm papel de protagonistas nesse processo. Encerro com o necessário registro à acolhedora atenção dada por Maurício (Maumau) não só a mim, mas também a todos os demais convidados de fora. Mas isso não foi surpresa, já sabia que teria pelo perfil sempre cuidadoso dele. Deixo a todos o meu fraterno abraço e o desejo de ter contribuído, mesmo que seja um pouco, para fomentar novas perspectivas de leitura junto aos estudantes de Canoas.
Grande abraço, Paulo Ramos.



- Mais uma vez acompanhamos muito 
de perto (na verdade, de dentro!!!) 
a Feira do Livro de Canoas. E mais 
uma vez  a cidade de Canoas 
demonstra o vanguardismo de incluir as atividades 
de desenho de humor  e histórias em quadrinhos 
como elementos vivos da literatura, no caso a literatura da narrativa visual/textual.
A história em quadrinho começa a ser chamada de  
9ª arte e a feira comprendeu isso.
As duas atividades das quais participei funcionaram 
como experiências complementares: primeiro um 
descontraído encontro com professores e depois, o mesmo com 
um grupo de atentos alunos.
Nos dois momentos debatemos a importância da narrativa gráfica
como elemento didático e cultural.
Nesses encontros, contamos até com a possibilidade de aparecimento 
de novos talentos do desenho de imprensa.

Santiago
artista gráfico-cartunista


 - Salve, maumau!
o evento foi ótimo. eu que agradeço a super oportunidade.

foi inesperado, porém extremamente gratificante, o encontro com os alunos da escola ícaro, durante a feira do livro de canoas. todos os participantes se mostravam interessados e foram muito participativos. é bom saber que tem uma molecada interessada em quadrinhos, saber que temos uma geração se preparando para receber o nosso legado. a mesa redonda, em parceria com o novo amigo fabiano foi a mais interessante que já participei, pois as perguntas dos alunos eram muito inteligentes e interessadas, diferente do que normalmente acontece nos eventos com público adulto. Lobo






-  Foi um prazer participar da Feira do Livro de Canoas. Além dos amigos que revi e amigos novos que fiz, ao aproximar o público escolar aos autores, a Feira promoveu encontros inesperados e interessantes.Como o que vi de Lobo e um colega editor da Panini falando sobre o trabalho de editor, para crianças de 10 anos ou menos, que acompanharam com tremendo interesse e fizeram muitas perguntas pertinentes. Ali todos liam quadrinhos, o que além do seu valor intrínseco, é metade (se não mais) do caminho para a literatura. É o tipo de situação que nos dá esperança e a mim pessoalmente inspira a produzir para esse possível novo público, que ainda não desistiu dos livros.
Obrigado a você por ter me convidado. Voltei cheio de energia por ver os amigos e seus trabalhos.
E o que falo aqui no depoimento (atachado) é verdade - aquela meia hora ali vendo Lobo falar para crianças me deu uma vontade enorme de fazer algo para crianças.
A comparação com o público adolescente que pegamos é significativa - ali já começou (ou se completou) um achatamento cultural. Criança ainda tá aberta a tudo.
Não tem criança medíocre. A mediocridade, o fechamento para outras possibilidades, vem aos poucos.
A idéia de falar com eles antes que aconteça realmente me moveu.
Valeu.

Odyr Bernardi 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Luiz Coronel em homenagem à 27ª Feira do Livro.

Dez reflexões de um escritor homenageado.

1.           O livro e o mundo:

Nem as escavadeiras ou dinamites abrem tantos caminhos quanto os livros. Eles voam, qual aviões; mergulham fundo, tal submarinos. Testemunhas de nossos sonhos e pesadelos, ao abrirmos as páginas de um livro, abrimos janelas para o mundo. Quem lê vai longe.

2.           A Feira do Livro de Canoas:

O tempo consolida e confere respeito e crescimento ao que tem por pilares mérito e grandeza. Vinte e sete anos da Feira do Livro de Canoas.  Qual lampadóforos gregos, alcançando a tocha nos Jogos Olímpicos, sucessivas administrações municipais cumpriram à risca a incumbência de manter acesa essa chama do saber, essa motivação ao conhecimento.

3.           As crianças:

Devemos amar as crianças pelo que elas são e por tudo que poderão vir a ser. E eu lembro Fernando Pessoa: “por melhor que sejam as festas e as danças o melhor do mundo são as crianças”. Quero com isto salientar a atenção, prioridade conferida às crianças pela Feira do Livro. É sabido que a “Criança é o pai do homem” e que é na infância que se plasma, consolida o gosto pela leitura.

4.           A globalização:

Permitam-me abordar o tema globalização. A primeira delas, feito dos romanos. A segunda, a grande aventura marítima dos portugueses. Agora, uma terceira e mais abrangente: a revolução da informática. O mundo tornou-se instantâneo. É fato, está acontecendo e já virou notícia. Disse um jovem ao pai: “Tu sabes tudo o que passou. Nós sabemos de tudo que acontece agora”. Sem dúvida, uma nova geração desponta, com novos instrumentos para seu relacionamento com o mundo.

5.           As gerações:

Cada geração tem a vaga, imprecisa e inconsistente impressão de que o mundo começa com seu surgimento na paisagem humana. No entanto, somos e seremos sempre herdeiros e legatários de uma herança cultural que percorre o tempo. Ao acendermos uma lâmpada, devemos agradecer a Thomas Edson. A cultura é transmissão de conhecimento, de conquistas e desafios. Shakespeare, Machado de Assis, Mario Quintana não pertencem a um tempo, pois a arte, quando verdadeira, eterniza-se como patrimônio da humanidade.

6.           A comunicação:

E aqui chegamos ao fenômeno comunicação, e, por vias diretas, ao livro. Nem toda informação é conhecimento, nem todo conhecimento é cultura. Cultura é o que instrumentaliza o homem em sua relação com a sociedade, com seu tempo, com seus projetos, consigo mesmo. O livro, a partir de Gutenberg, torna-se um dos mais esplêndidos fatores da democratização da cultura. São os poetas, tratando as mil nuanças das palavras, os romancistas, destelhando as vidas para bem senti-las, historiadores, ensaístas, todos comprometidos com o conhecimento. Louve-se o livro, pois sem ele é a treva. “O livro é a maior revolução”, disse Victor Hugo.

7.           O jornalismo:

O jornalismo soletra o mundo de forma ágil, rápida, instantânea e necessária. Salvo honrosas exceções, cria informações, mas é efêmero seu comprometimento com a conscientização do significado dos fatos que narra. A sociedade contemporânea criou a figura do alienado informado: sabe de tudo, mas não tem consciência, em profundidade, de nada. Então surge, majestoso e digno, o livro, propiciando um conhecimento paciente, silencioso, profundo e verdadeiro da vida, da história, dos fatos.

8.           O Brasil e a leitura:

Somos um dos países de menor índice de leitores. E pior, um dos últimos na aferição de capacidade de decodificação lógica ou sensível do que lê. Não se constrói uma nação com cidadania verdadeira se não contarmos com uma coletividade competente para pensar, avaliar, decidir, participar. As pedras, lajes que pavimentam este caminho são constituídas por livros. Na linguagem das pedras, se construiu palácios para expressar o poder; muralhas, a propriedade; cárcere, as punições; lápides para exprimir a morte; torres, para erguer catedrais. Com o livro, construiu-se um monumento às ideias.

9.           Educação e leitura:

Jorge Luís Borges escreveu: “o arado, a espada, constituíram-se com extensões das mãos, o livro, uma extensão da imaginação”. Bendito seja quem aprende para saber e abençoado quem sabe para ensinar. Senhores mestres, senhoras professoras, senhores pais: em vez de armas, grifes, frivolidades... Livros, muitos livros às nossas crianças. A cada hora de TV, duas horas de leitura. Uma lâmpada de cabeceira é um farol a iluminar nossas vidas. “O livro é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar” disse nosso imenso Castro Alves.

10.      Palavras e imagens:

“Enquanto houver perguntas e não encontrar as respostas, continuarei a escrever.” Já vão lá cinquenta livros editados. Sinto certo orgulho de coordenar e editar a coleção dicionário para o Grupo Zaffari. Escrevo com acesa paixão, quando o tema é o Rio Grande. Criar é parir “uma estrela bailarina”. Cultuo a palavra. Se a imagem cintila uma impressão, a palavra, a frase, constroem conceitos. Como lembrou Saramago, ainda é possível verter lágrimas sobre as páginas de um livro, mas não creio que o mesmo aconteça sobre uma tela de computador. Ler, um dia escreveu o Quintana, é a melhor maneira de estar sozinho e ao mesmo tempo bem acompanhado. O muito, ou pouco, que alcancei em minha vida, credito aos livros.

Luiz Coronel